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Mai 09

 

Bruno Nogueira: "Quando estou triste não recorro à comédia"

 

Esperava que o projecto atingisse esta aceitação?

À partida nunca sabemos bem como vai resultar. Mas com a equipa que estava reunida acreditava que o que fizessemos estivesse defendido. Se conseguia juntar um grupo de fãs suficiente para justificar a série era uma questão secundária. Felizmente conseguimos cativar o público.

 

Chegar a um patamar de culto não deixa de ser um feito...

A primeira temporada tinha coisas muito boas, mas era muito experimental, na segunda já havia mais certezas do que estávamos a fazer e agora sabemos realmente o que queremos e como podemos fazer com que isso resulte.

 

Não estão no "mainstream"...

A questão do "mainstream" remete para o facto de a maior parte do público se rever naquilo que fazemos. Há algumas coisas que serão, outras não. Serão mais para um nicho. Esse equilíbrio é bom tanto para a nossa boa disposição a trabalhar quanto para o espectador se identificar naquilo que vê.

 

Qual é o ingrediente do êxito?

Não há um segredo. São vários ingredientes reunidos que vão desde as equipas de realização e produção, aos argumentistas e grupo de actores, o que resulta num cozinhado final que faz de cada projecto, algo único e diferente.

 

A saída de Maria Rueff e Gonçalo Waddington mudou o conteúdo?

Perdemos dois trunfos. A Maria pela sua versatilidade e talento, o Gonçalo pelas suas personagens extraordinárias. Subtraímos por um lado, mas somámos por outro. É como o corpo humano: acaba por se regenerar e adaptar.

 

Não haver vedetismos é vantajoso?

De facto não há. A hierarquia forma-se normalmente. Terei talvez um papel mais marcante a nível da edição. Há pormenores importantes como a duração ideal para um "sketche", ou o actor que mais se adequa, e isso faz com que tudo resulte melhor. Quando estamos a representar, todos fazem sugestões de uma forma ordenada.

 

Um humorista tem de ser bom actor?

Não. Um bom humorista pode ser péssimo a fazer drama e vice-versa. Continuo a achar que a comédia é das coisas mais difíceis de se fazer. Uma piada só resulta uma vez, pelo efeito surpresa. Depois pode ser melhorada, mas ter um "timing" de comédia é algo que ou se nasce com isso ou não nasce.

 

Mas tem aprendido a representar...

Sim. Aprende-se sempre. Basta estar em casa a ver uma série que eu admiro e que gosto e ao perceber como o guião foi feito, por exemplo, já estou a aprender. Cada um tem o seu método de aprendizagem. Porém, estando envolvido num processo de criação diária as trocas de aprendizagens são mais intensas.

 

Como olha para o incremento dos programas de humor?

Há cada vez mais tentativas de programas de humor mas não sei se isso equivale a haver mais humor na televisão. Há ainda aquela política do convidado para fazer "stand-up comedy", que é sempre uma forma simpática de não pagar "cachet". É importante que hajam formas diferentes de fazer humor, boas ou más, para que o público possa ter escolha.

 

Será cíclico? Banalizou-se o género...

Completamente. Mas não terá tanto a ver com a crise e com o facto de as pessoas andarem deprimidas. O público também gosta de humor quando está bem disposto. Justifico esta espécie de moda à luz de um "boom" de uma fornada de jovens humoristas.

 

O humor é mais um veículo para a evasão ou para a reflexão?

Para as duas coisas. O tipo de humor ideal é quando se consegue pôr uma pessoa a rir do que se se dissesse seriamente achariam ofensivo. Brincar com coisas sérias serve também para fazer pensar. Por outro lado, é um modo de as pessoas se descontrairem. São umas injecções de morfina que aliviam. Eu, quando estou triste nunca recorro à comédia. É um híbrido entre a evasão e a reflexão.

 

Como justifica o sucesso de "Malucos do riso" depois de tantos anos?

É muito bem produzido. Depois entra o factor geracional, que tem a ver com a percepção da substância. Há quem prefira um humor mais imediato, de fácil digestão. Além da idade, está ligado ao gosto de cada um. Tenho consciência de que "Os contemporâneos" nem sempre têm um humor acessível. O público encarrega-se de eleger o que lhe é mais risível.

 

Como reagiram às nomeações de Monte Carlo?

Muito surpreendidos, afinal estamos a competir com o "The office"; ganhar ou perder é completamente acessório.

 

Qual é o seu humor de referência?

O humor americano não me diz tanto como o inglês, que é mais elegante, súbtil e elaborado.

 

Têm a aspiração de se tornarem no "Tal canal" para as gerações de hoje?

Não. Tudo tem o seu tempo. Se há coisa que me custa é comparar programas. Claro que o "Tal canal" nos deixou um legado enorme e será sempre um marco. Se conseguirmos metade disso já será agradável.

publicado por Johnny às 13:41

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